quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Peixinho

Na escola do Arthur tem natação. É uma nataçãozinha bem light, a piscina é descoberta, então na maior parte do ano letivo não tem. E Arthur nunca se empolgou para os dias em que entrariam na piscina, diferentemente da maioria dos alunos.

Daí que no final do ano, o menino passou a recusar a ir para a piscina e todo dia de manhã falava que não queria ir para a escola se fosse dia de natação. Conversei com a professora, a resposta é que não houve nada, nenhum acidente. Chegaram a cogitar que o problema era em casa, porque ele falou que não queria estava com medo porque o pai tinha caído com ele na piscina. História total!

Enfim, Arthur não foi mais para a piscina e duas semanas depois o ano letivo acabou.

A gente não tem piscina em casa, nem parentes que tenham, nem amigos que a gente frequente que tenha, não somos sócios de clube, enfim, piscina não faz parte de nossas vidas, apenas muito ocasionalmente, tipo 1 ou 2 vezes por ano em alguma situação especial.

E uma dessas ocasiões foi no final do ano. De cara Arthur ficou receoso, mas logo estava na piscina com a gente, se divertindo horrores e sem medo algum, apesar de não ser uma criança super solta que se joga, estando no raso de pé ou em nosso colo, se esbaldou de brincar.

Concluímos que o medo dele não era da piscina, mas tinha mesmo ficado amedrontado com a aula de natação. Então propus que nas férias fossemos em uma academia de natação, ver se ele gostava.

Esta semana, ele quis por a sunga e lá fomos nós para uma aula experimental. Chegando lá, ele chegou perto receoso, não quis tirar a roupa, com algum empenho da professora aceitou por o pé na água e logo quis ir embora. Mostrou muito medo ao ver as crianças mergulhares, foi claro ao dizer que:

- não quero mergulhar
- não quero aprender nadar
- não quero fazer natação

Orientação da academia? Ir acostumando mais ele com água no rosto em casa, no banho e ir levando para ver as aulas. Já a pessoa do administrativo, quando questionei sobre ir algumas vezes para ver se ele aceitava, não mostrou muito bom grado, falou que daí acabariam as vagas.

Eu poderia insistir, poderia procurar outras academias, mas quando prestei atenção ao meu filho, especialmente na veemencia dele ao dizer que não tinha vontade de aprender nadar, que decidi: essa história de natação, pelo menos por este ano, acaba por aqui.

Não quero de forma alguma reforçar o medo dele e ceder, mas Arthur é uma criança que deixa bem claro o que gosta e o que não gosta, como no caso do circo, e eu vou respeitá-lo como pessoa. Por outro lado, se ele gosta de ir conosco para a piscina, vou investir em buscar uma maneira dela fazer mais parte de nossa vida, talvez associar-se a um clube, que além disso é uma opção de divertimento para todos nós.

Acredito que ele se familiarizando com a água e um pouco mais velho, as chances dele desejar fazer natação ano que vem são maiores e ocorrerá de uma forma muito mais gostosa e produtiva. De forma alguma, com a desculpa de não incentivar seu medo, vou forçá-lo a fazer algo, por isso busco um caminho mais gentil e prazeroso de fazer isso.

Já decidida sobre isso, ontem tive a prova final. Comentei com Arthur que as férias estavam acabando e que logo ele voltaria para a escola, quando ele respondeu que não queria voltar para aquela escola, que não gostava de lá. Era a segunda vez que ele falava isso e uma luz de alerta se acendeu. Questionei porque ele não gostava da escola e ele na bucha: porque não quero natação.

Confesso que fiquei aliviada, porque este ano ele não fará natação e expliquei isso para ele. Pronto. Ele se acalmou e disse que então tudo bem voltar para a escola.

De tudo isso, percebi que para ele foi assustador mergulhar. E aparentemente deram uma insistida para ele ficar tão traumatizado a ponto de não querer voltar para a escola que ele adora. A equipe de natação nega qualquer problema. Realmente não acho que tenha acontecido um acidente, "apenas" não souberam ouvir e respeitar os limites do meu filho, que não é um peixinho. E daí?

2 comentários:

Bekka disse...

Oi Dani! Adorei seu blog, viu? Por coincidência meu filho também chama Arthur! Também quero colocá-lo na natação enquanto ainda é bebê, e já to procurando umas academias, pra ir aprendendo e gostando desde já... mas gosto é uma coisa que já nasce com a gente né? Não tem como forçar mesmo!
Beijokas!

Dani Garbellini disse...

Oi Bekka. Que bom que gostou do blog. Puxa a cadeira e fique à vontade. rs
Pois é, a gente não colocou de bebê, talvez a história tivesse sido outra.
Minha sobrinha faz desde os 8 meses, agora está com 2 anos e é uma graça na piscina.
Beijão!