terça-feira, 20 de setembro de 2011

Reflexões sobre parto

A pessoa mega sem tempo que manter um blog ativo e está cansada de fazer posts mentais.
Então sem tempo, ela escreve de um jeito bagunçado o que está em sua cabeça bagunçada e, já sabendo tão cedo não vai conseguir colocar as idéias em ordem e daí vai passar, resolve publicar assim mesmo do jeito que está.

O texto começou assim: "em 20 minutos dá para escrever um post? Não, não dá! Mas é o que tenho pra agora." E terminou não em 20, mas em 30 minutos, me atrasando. E mais cinco para escrever isso e publicar. Ou sete... Lá vai!

Ah! O texto!

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Eu tive um parto domiciliar, mas jamais tentaria convencer alguém de fazer o mesmo. Falar a verdade, fico até com medo de oba-oba sobre PD.

Eu, em trabalho de parto
Sou ativista, militante mesmo pela humanização do nascimento, pelo verdadeiro acesso a informação que norteie as escolhas da mãe, para que os profissionais de saúde tenham uma atuação baseada em boa formação e condições de trabalho, ética, humanização e evidências científicas e, finalmente, para que este atendimento adequado seja disponível a todas as pessoas, sem exceção.

Definitivamente, para ter um parto humanizado e baseado em evidências científicas, ninguém precisa estar em casa. A maternidade pode, e deve, oferecer tal possibilidade.

Aliás, seria maravilhoso desvincular maternidade de hospital, sabe? Imagina, casas de parto anexas a maternidades com centros obstétricos e de cuidados intensivos para mãe e bebê, para os casos de necessidade, sem qualquer alusão a hospital. E não havendo intercorrências, ficariam ali na casa de parto, do ladinho da maternidade. Que sonho!

E se tivesse um local assim, eu ainda iria querer parir em casa? Opa, com certeza! Como já dizia Doroti em O Mágico de Oz, não existe melhor lugar que o nosso lar! Parto em casa somente para quem quisesse, não por necessidade de fugir de protocolos, mas por genuinamente querer parir em casa, conforme escolha da mãe que tivesse condições clínicas para tal, sem que a chamassem, ou o pai e a equipe profissional de loucos.

Enfim, não existe uma graduação, como se cesárea eletiva fosse zero e parto domiciliar 10. Não é uma competição ou uma avaliação.

Fico assustada quando alguém começa falar algo como, adoraria querer um parto domiciliar, mas é muito para mim. Como assim, adoraria querer? Às vezes parece que o parto em casa é como ganhar a medalhe de ouro na competição de mais mãe. Oi? Estou fora dessa competição, ok?

Sim, eu quero ter outro filho e quero que nasça em casa. Mas veja bem, conheço gente que estava na mesmíssima situação que eu e teve cesárea, porque precisou de uma cesárea.

A mulher acompanhada por profissionais que realmente só indicariam intervenções ou cesárea em caso de necessidade, pode encarar a cirurgia como ela realmente é, bela.

Então eu ficaria contente se de fato precisasse de uma cesárea? Claro que não! Poxa, isso significaria que houve um problema, que eu ou meu filho corremos riscos a ponto de precisar de uma cirurgia. Vou ficar feliz com uma coisa dessas? Mas claro, ficaria feliz em ter dado tudo certo, graças à tecnologia disponível e estarmos bem.

6 comentários:

Thaís Rosa disse...

Bingo, Dani.
Ideias claríssimas, mesmo sem tempo.
Estou em fase de finalizar o relato de parto do Caio(uhuuuu), porque queria muito fazer o do Nuno e não ia me perdoar de não ter feito o do Caio. E, prolixa que sou, deu umas 15 folhas a4... hehehe
mas tudo isso pra dizer que, revisitando o parto do Caio, ficou evidente para mim que se existisse naquela época a estrutura que existe na cidade hoje, talvez eu não tivesse feito o domiciliar (mas, de certa forma, fico feliz que não existisse, pois me fez chegar ao pd...) contraditório? pode ser, mas tudo isso pra dizer que assino embaixo do que vc disse.
beijog grande

Mariana - viciados em colo disse...

mais claro impossível!

sabe, dani, fico aqui pensando em nascimentos humanizados em todas as redes... fico aqui pensando neste "hábito" de indicar cesárea até para quem não quer e nesta loucura que é precisar "fazer um PHD" em gestação e parto para peitar o sistema e conseguir o que devia ser regra: parir normal em caso de tudo estar correto...

a maior parte das pessoas que leio ou converso, fez parto em casa por "falta de opção": porque não queria se submeter aos protocolos. gente que faria no hospital, se eles tivessem o mínimo de respeito ao nascimento. gente que faria tudo de novo por ter sido tudo lindo...

é um problema grave esta situação brasileira... grave!

beijoca



ah, vc viu isso: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/parto-domiciliar-quando-o-risco-nao-e-necessario ??? não me supreende por ser a veja, agora pense no desserviço à causa!!!

leia os comentários - tem um enorme super instrutivo!


boa noite

Marilyn disse...

Desculpe Dani... mas acho que não devemos "convencer" ninguém à nada... Parto assim, como todo o resto deve ser uma escolha e consciente! Hoje eu ouvi de uma pessoa assim (Já marquei a cesária)... imagina se eu vou tentar argumentar qq coisa... pra mim, é escolha mesmo!

Nine disse...

Dani, nem preciso dizer que amei seu texto, em? PD é um dos meus assuntos em pauta, hehe.

Eu concordo com você: se houvesse maternidades, casas de parto anexas aos centros obstétricos de bons hospitais públicos e privados, talvez eu não precisasse peitar meio mundo pelo PD, para garantir aquilo que eu considero importante para mim e o meu filho.

O PD deve ser maravilhoso, nada como nosso lar, mas gera um baita estresse antes, na tentativa de consegui-lo (estou vivendo isso). Tem vezes que penso PQP vou para o hospital e pronto! Mas basta lembrar a minha primeira vez e as fotos da Ísis logo após o nascimento e me pego com forças novamente.

Beijos!
Nine

Sonica disse...

Dani, eu também "escrevo" mentalmente no blog...muito doido isso, né mesmo?
Muito bom seu texto!
Bjs,

Fabiana Alvim disse...

Quanta reflexão ando fazendo com relação aos partos das minhas filhas... tava precisada, sabe?!!!rs

Também não consigo assimilar essas discussões que entram num esquema competitivo... apenas me concentro no que PARA MIM é o ideal. Só que o que tenho tentado perceber é que, talvez, conceitualmente eu faça uma escolha, mas na prática só dou conta de outra. Entende?!

Bom, ainda tenho a continuação do meu post... vou parar por aqui senão escrevo ela aqui nesse comentário!rsrs

Adorei o texto!