Em outubro, com 2 anos
e 5 meses, com delicadeza e conversa, gradualmente, deixamos de
praticar a livre demanda. Houve alguns dias de choro, mas sem maiores
dificuldades, consolidou-se três amamentações diárias: manhã,
tarde e noite, sempre os dois peitos em cada mamada, com duração
média de meia hora.
A partir de então,
eventualmente pulava a mamada da tarde, principalmente quando
estávamos fora de casa e ele esquecia, me levando a estabelecer que
em passeios ele não mamaria mais.
Em dezembro, sem
conseguir mais evoluções e muitas vezes sem vontade de amamentar,
decidi que era hora de tomar uma atitude e retirar mais uma mamada.
Dessa vez, entretanto, o processo não foi tranquilo. Buscava
conversar com ele, explicar que estava crescendo, já era um menino
grande.
Arthur que começou o
desfralde em outubro e consolidou em novembro, voltou a deixar
escapar a maioria dos xixis, chegando a verbalizar nesses momentos e
também nas conversas sobre desmame, que era bebê, que não era
grande. Opa! Sinal de alerta aceso. Esse papo de crescer, menino
grande não estava funcionando, pelo contrário. E mais, parecia que
Arthur não estava tão pronto assim para continuar o desmame quanto
eu pensava. E agora?
Fiquei muito indecisa e
culpada. Culpada por não estar mais conseguindo amamentar, quando
aparentemente meu filho ainda precisava. Indecisa por não saber se
seguia com o martírio que se transformava amamentar ou se seguia com
o processo. Mas sabia que ficar parada naquele ponto não era
possível, então, conversei com o marido e abandonamos totalmente a
conversa sobre ser menino grande. Finalmente também marquei um
atendimento com psicóloga-doula-especialista em amamentação, que
orienta também sobre desmame.
Na noite anterior à
consulta, por conta própria, Arthur não quis mamar para dormir,
pediu apenas que contasse histórinha. Pareceu-me um sinal...
Na consulta, conversei
sobre minhas angústias, refletimos juntas e sai com mais
tranquilidade em prosseguir com o desmame. Concluímos que realmente
deveria focar a conversa do desmame como minha necessidade e não no
crescimento dele. Passei a explicar que o leite da mamãe estava
diminuindo, acabando, que meu peito às vezes estava doendo,
machucando, que estava cansada.
Estabeleci como meta,
naquele momento, que Arthur tivesse totalmente desmamado até maio,
quando completaria três anos. E escrevi aqui sobre o processo de desmame.
Pensei em começar
tirando a mamada antes de dormir, pois era a mamada mais ruim, em que
às vezes entrávamos em conflito, pois o leite era pouco, Arthur
ficava apertando para sair mais, doia, eu cansada, irritada.
Horrível.
Esperei passar o final
de semana do Natal e, na segunda-feira antes de dormir, conversei com
ele que era uma mamada de despedida, pois a partir do dia seguinte,
ele não mamaria mais para dormir. Ele questionou, perguntou por que,
reclamou... Eu fui explicando e ele me olhava fixo, com um olhar
triste, desolado. Que difícil! Papai estava por perto e mal se
aguentou.
Minhas férias de 10
dias haviam acabado e eu voltaria a trabalhar no dia seguinte. Como
às vezes acontece, saí para trabalhar e Arthur ainda dormia. Papai
contou que ele chorou uns 5 minutos, chamando por mim, mas logo se
acalmou. Repensei que era melhor tirar primeiro a mamada da manhã,
que era bem mais gostosa que a noturna, porém era a mais complicada
para nossa rotina, às vezes era mesmo pulada por isso, não seria
legal se acontecesse dele ficar sem mamar logo de cara à noite e
depois pela manhã.
Terça-feira à noite
relembrei que pararíamos com uma mamada, portanto no dia seguinte,
quando ele acordasse, não teria mama. Ele com sono, mostrou
desagrado, mas não falou nada, mamou e dormiu.
Quarta-feira, acordou
cedo me chamando. Fui até seu quarto e pediu mama. Lembrei-lhe do
combinado e ele chorou, ficou bravo, esperneou, pediu, questionou.
Perguntei se queria leite, pão e ele respondia “não, quero mama”.
Em poucos minutos se acalmou. Ficamos deitados em sua cama, ele às
vezes me olhava profundamente, um olhar ora bravo, ora confuso,
pedindo compreensão. Fui falando que ele era meu filhinho, sempre
seria, que estaria sempre com ele. Passados mais alguns minutos,
falou que queria leite. Ofereci colo e logo ele estava normalmente
brincando e tomando seu café da manhã.
Enquanto estávamos na
cama, senti meus seios se encherem como há tempos não sentia. De
manhã e à tarde continuo tendo bastante leite quando ele mama, mas
raramente produzo sem estímulo. Ah, mas eu descansada, com meu
filhote me olhando daquele jeito e pedindo mama, o estímulo estava
lá. Nesses momentos percebo o social se sobrepondo ao natural.
Obviamente o processo natural levaria à retirada da mamada da noite,
mas a necessidade de ir cedo para o trabalho levou a outra escolha,
talvez não a melhor de todas, mas a melhor possível nesse contexto.
E nesse primeiro dia nos saímos muito bem.
Demorou uns 10 dias
para a adaptação plena a não mamar mais pela manhã. Foi a mais
difícil de todas, mas deu tudo certo. Acredito que por estar em
férias escolares e mais próximo de mim e da vovó, que ficou em
nossa casa com ele, facilitou o acolhimento emocional da perda da
mamada matinal.
Logo começaram as
aulas e definitivamente período de adaptação escolar não é a
melhor hora para dar continuidade ao processo. Além disso, duas
mamadas se tornavam pouca cansativas para mim também. Fiquei até em
dúvida se tirava mais uma mamada ou deixava as coisas acontecerem.
Nesse estágio, as
mamadas noturnas foram se encurtando e espaçando. Nesse horário,
devido ao cansaço, a produção de leite é naturalmente menor e,
com apenas duas mamadas diárias, também diminuiu a produção,
logo, às vezes era muito dolorido e diante do esforço pouco
recompensado em tentar sugar forte para sair leite, Arthur começou a
mamar apenas um peito, poucos minutos e depois pedia para irmos
deitar na cama. Aos poucos, eventualmente, nem mesmo mamava. Mais um
indício que estava na hora de deixar as coisas acontecerem, sem
precisar decretar um dia para acabar, como tinha sido com a mamada
matinal.
Arthur foi mamando
alguns dias mais, outros menos, ficava uns dias sem mamar e assim
passou-se meses, até que quando me dei conta, ele já não mamava
para dormir, ficando apenas a mamada da tarde, quando ele chegava da
escola e, aos finais de semana, antes do descanso da tarde.
Foi bom deixar as
coisas acontecerem, e assim permaneceu. Passado mais alguns meses,
Arthur começou a se desinteressar pela mamada da tarde, às vezes
mamava apenas um peito e não os dois como era costume, as mamadas
foram ficando mais curtas, depois ele pulava alguns dias até que no
dia 29 de junho de 2011, com três anos, 01 mês e 13 dias, ele mamou
pela última vez.
Hoje, 05 de julho, é o
sexto dia que ele não mama. Ontem voltando da escola, ele falou:
“mamãe, eu não quero mamar quando chegar em casa”. Tá bom, meu
filho.
Caso ele volte a pedir
para mamar nos próximos dias, pretendo atender, até que ele esteja
totalmente seguro do desmame, mas não acho que acontecerá.
Nesse momento, sinto
saudade e alegria. Saudade de amamentar meu bebê, meu menino, e
alegria por saber que tivemos uma história linda de amamentação,
quase inacreditável para quem começou sem produzir leite, precisou
praticar translactação na primeira semana de vida e passou o
primeiro mês como mãe incerta de sua capacidade de nutrir o filho.
Arthur mamou
exclusivamente por 6 meses, nunca conheceu mamadeira, só começou a
tomar leite de vaca com 1 ano e 10 meses e mamou até os três anos
de idade. Final feliz.
14 comentários:
Nossa que lindo esse depoimento...de verdade me fez chorar...ok ok ...mamães com hormônios a flor da pele....mas esse depoimento me fez refletir muito...espero que eu consiga também uma pó tinha do que vc conseguiu....estou seguindo para trocar experiências...bjus
ai, que coisa mais difícil!
alice desmamou sozinha e eu não tenho a mínima ideia de como vou fazer com arthur...
beijoca
Oi, Dani,
Que linda história! Aqui eu espero que o desmame seja mais fácil, mas é imprevisível. Gostei muito dessa orientação de focar em você, nas suas necessidades, e não nessa história de "você já é grande". E se ele não se sente grande?
Aqui Emília está mamando só 2x por dia (ela está com 18 meses), e às vezes pede pra mamar mais uma vez nos fins de semana. Quando nascer o segundo, não sei como vai ser. Por enquanto, estamos bem.
Eu tenho negado quando ela pede pra mamar perto da hora de dormir, porque ela acaba cochilando no peito e depois bagunça todos os horários dela. Nego também quando ela pede pra mamar de novo depois de meia hora, uma hora.
Também às vezes dou uma insistida pra ela terminar a mamada, porque tem vez que ela quer mamar pra sempre. Eu digo que ela já mamou bastante e que o peito da mamãe está ficando dodói. Ela costuma entender.
Mas continua sendo um momento delicioso, que certamente vai se estender pelo menos até os dois anos!
Beijos e obrigada por compartilhar a experiência.
Dani,
Parabéns!
Adorei seu relato.
Bjs
Realmente uma linda história! Que bom que vc conseguiu registrar, e assim um dia ele vai ler e se emocionar, como nós, sua leitoras nos emocionamos hj...
Beijinhos,
Dani, legal que conseguiram com tranquilidade!!
li seu relato em várias partes, dias diferentes..hehe Correria,mas vim comentar! parabéns a vcs! vejo muitas pessoas desmamando na marra, tão triste... tão brutal...
bjo
Queridas, obrigada pelos comentários.
Fiquei surpresa de acharem bonito ou emocionante, porque está super detalhado, nada romantizado.
Eu comecei a escrever esse relato em dezembro, a cada etapa fui escrevendo, para não esquecer. Concluí ontem.
E talvez role um epílogo daqui um tempo...
Beijos!
linda história de amor.
Que relato emocionante!! Lindo!
Beijos
Fabiana
http://2-ao-quadrado.blogspot.com
Oi Dani! Voltando aos poucos...não pude deixar de comentar nesse seu relato! Lindo! Gostaria de amamentar o segundo por mais de 9 meses...vamos ver!
Beijos,
NIne
Dani, que linda história! Demorei dias para ler, pois quis clicar em todos os links. Estava sem tempo de comentar, sempre com uma mamadora no colo, mas agora fiz questão de vir para te parabenizar.
Obrigada por dividir sua história! Não gosto nem de pensar em desmame por ora, mas, quando for a minha vez, venho aqui te reler.
Beijos
Dani,
Li (reli) todos os seus posts de desmame do Arthur. Lembro que acompanhei (so não comentei) pois estava me fortalecendo com informações, pois estava a caminho do desmame. E é bem verdade, não é um processo que acontece da noite para o dia, é gradudal e tem que haver preparo de ambas as partes, nos como mães e dos filhotes.
Assim como o Arthur, Béatrice sentiu a retirada da mamada noturna (foi mais dificil que a mamada matinal) e foi choro, explicações e um periodo bem cansativo. Mas a partir dai seu sono melhorou e, aos poucos (bem devagar) as outras mamadas tb foram sendo suprimidas.
E mais uma etapa cumprida e obrigada por compartilhar o relato de desmame. Tenho certeza que ajudara outras mães, assim como foi comigo.
Beijos : )
Ué... postei e não vi o comentário e nem se será autorizado por vc... Voltei p/ testar, rs.
Bom... Seguimos neste processo tb, e sei q levará um bom tempo, por isso vamos c/ calma e s/ pressa.
Novos desafios surgem cf. as crias crescem, o q tb nos faz crescer!
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