Da mãe, claro! A culpa sempre é da mãe.
Junto com a mãe nasce a culpa, tema recorrente em assuntos maternos.
Mas será esse sentimento de culpa natural, biológico?
Ou é um sentimento psicanalítico, social?
Gente, eu estou a quase três anos afogada em culpas. Não aguento mais!
Cara, não dá para ser perfeita. E mesmo quando a gente sabe e quer fazer o que acreditamos ser o certo, o melhor, temos muitas barreiras sociais, financeiras, físicas, espirituais, sociais, emocionais. Não dá!!!!
Daí que eu contei aqui que estava lendo o livro a maternidade e o encontro com a própria sombra. Pensava em escrever um post sobre ele assim que terminasse de ler, porém terminei e não consegui escrever, porque eu AMEI MUITO E ODIEI DEMAIS o livro.
Eu amei porque lá tem tanto, mas tanto do que eu senti no pós parto, no primeiro ano de vida do Arthur, do que penso sobre filhos, maternidade, educação, limites. Dá para escrever dezenas de posts inspirados em trechos. Eu ia lendo e pensando: gente, preciso escrever sobre isso! Daí veio a idéia de reler e tentar escrever, que ainda não vingou.
Amei também profissionalmente. Sou assistente social, com especialização em atendimento integral à família e apaixonada sobre o assunto gestação-parto-maternidade. Durante a leitura pesquisei um pouco sobre terapia familiar, vi uns cursos de pós graduação na área e fiquei com MUITA água na boca. Mas por hora está muito longe de minhas possibilidades empenhar tempo, dinheiro e dedicação a estudos e mudança de carreira. Mas está guardadinho com carinho num cantinho da minha mente e alma. Quem sabe um dia.
Crianza e Laura Gutman se tornaram inspirações profissionais, quem diria?
Amei!
Pois bem, mas como ia dizendo, também odiei o livro. Definitivamente não concordo quando tudo é atribuído à mãe. O bebê não dorme? A culpa é sua. O filho fica doente? A culpa é sua. Ou, no caso do livro, da sua sombra, que não deixa de ser parte de você, certo?
Sei que a autora de forma alguma queria colocar dessa forma, como culpa, mas no fundo é assim, sim. E aqui posso ser odiada por muitas por essa declaração.
Acredito que sim, a influência materna é fortíssima, mas não é a sombra da mãe responsável por tudo ou quase tudo. Existem muitos fatores ambientais, culturais, sociais, físicos, biológicos.
Se o resfriado do bebê é culpa da sombra da mãe, um tumor ou câncer também seria, afinal, qual a diferença? E as mãs formações, as tantas doenças. Sinceramente, lido com isso o tempo todo. Na época que estava lendo exatamente sobre isso no livro, coincidentemente, atendi uma overdose de casos graves, dolorosos e mesmo fatais envolvendo desde recém nascidos até adolescentes. Vai falar que existe escala? Se a doença for leve a culpa é da sombra da mãe. Se for grave a culpa é da sombra de quem? De Deus? Ah, não dá!
Imagine uma dessas mães dessas crianças que atendi começarem a ler o livro, que logo nos primeiros capítulos fala sobre isso? Além de terem que sobreviver a ver seus filhos doentes, talvez já sentirem-se culpadas, terem alguém dizendo que a culpa é da sua maledita sombra?
Além disso, considerei alguns trechos do livro extremamente machistas. E sim, sou feminista. E não, não suporto machismo e teorias de psicologia evolucionista.
Conclusão: eu super recomendo o livro, toda gestante, mãe e profissionais envolvidos com maternidade ou família deveriam ler. Mas fazer uma leitura crítica, como sempre. Porque nem a Biblía dá para fazer leitura fundamentalista. Não existe verdade absoluta. Não existe receita de bolo, até o bolo, mesmo seguindo exatamente a receita, não fica sempre identico quando feito pela mesma pessoa, imagine por outra? E a culpa é de quem? Do bolo? Da boleira?
Prefiro deixar a culpa de lado, que culpa eu tenho?
* Título inspirado em trecho da música Meninos e Meninas - Legião Urbana
6 comentários:
Oi Dani,
Muiiito legal seu blog! Sobre a culpa parece que você estava escrevendo pra mim. Sou mãe de gêmeos e super culpada. Como eles são super arteiros e agitados fico achando que tem a ver com a minha ansiedade de sempre, e sabe do que mais, deve ter mesmo.
Um beijo,
Ana
http://www.mamainhavamula.blogspot.com/
Do jeito q eu sou a mãe mega culpada, melhor nem ler!
Olá
Vi seu link no meu blog, vim conhecer seu espaço e me deparei com "a culpa". Posso lhe afirmar que no pensamento sistêmico utilizado pela Terapia de Família, isto fico redefinido.
Nesta visão, consideramos que todos os envolvidos influenciam e sãoinfluenciados e portanto há a corresponsabilidade de todos.
Vale a pena investir, assim que puder, pois a Terapia de Família, nos permite ampliar a visão sobre muitas questões.
No meu blog tenho vários textos que lhe podem ser útil.
Vc será bem vinda.
bjs
Ai Dani... sei não essa história da mãe ter culpa de tudo... eu sou meio relax sabe... diariamente tento dar o melhor de mim, claro que em algum momento desse dia troco os pés pelas mãos, faço esteira... mas culpa por tentar ser uma boa mãe? me questiono em muitas coisas, mas não deixo esse sentimento me assolar, não. Depois da maternidade dei uma guinada na minha vida, mudei de profissão, tudo buscando a minha felicidade ao lado das crianças. Fico exausta, o nino ainda me suga a noite toda, literalmente, suga meu peito e minhas energias, e ainda assim não consigo me livrar dessa dependência (mútua). A maternidade e isso, uma série de tentativas, de acertos e erros. E que não venha nenhuma autora falar que meu filho não dorme a noite por minha culpa, o que dorme na minha cama por minha culpa. Oras, são hábitos que eu criei, conscientemente, então não me culpo por fazer essas opções.
Dani, você é uma ótima mãe, tire o mundo dos ombros por uns instantes e respire fundo. O Arthur vai agradecer pelo seu sorriso... :)
Beijocas,
Dani,
postei um trecho de um texto dela sobre cama compartilhada lá no blog e a sensação que causou numa das leitoras foi exatamente essa: a de culpa.
às vezes a gente pega um texto desses e veste a carapuça - acontece muito comigo...
mas de um tempo pra cá, assumi minha porção #mãedemerda e tenho aceitado mais minhas limitações maternas, conjugais, sociais e profissionais. tenho me dado um desconto e nem os textos mais sectários me atingem.
aproveita o que tem de bom no livro, aceitar que a culpa de um resfriado é da mãe, anula todas as outras pessoas que rodeiam nossos bebês, até mesmo aquela senhorinha resfriada que pegou o elevador com vcs...
beijoca
Sério que tem literatura botando esse peso todo da culpa nas mães? Puxa vida. Já não basta o que nós mesmas colocamos né?
Bom, o ideal é aprender a viver sabendo que não somos perfeitas, mas tem hora que a culpa bate sim mesmo que não seja culpa nossa propriamente dita. Por exemplo, toda vez que Bia fica doente eu me culpo não pela sua doença, mas por não poder cuidar dela pessoalmente em casa por causa do trabalho - que tbm não é "culpa" minha, mas enfim eu provoquei essa situação, tive filho trabalhando e não imaginava que seria tão doloroso não ter disponibilidade para cuidar quando necessário. Ai, é um papo longo, rs.
Bjs!
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