quarta-feira, 21 de julho de 2010

Quem quer dinheiro?

Na última semana, ouvi duas reportagens no rádio falando sobre educar crianças para o uso do dinheiro. Em ambas, o conselho era ensinar os pequenos a poupar e valorizar o dinheiro, aprendendo que ele não vem fácil, mas vai fácil se não soubermos lidar com ele. Pura verdade, né?

As reportagens falavam sobre mesada, consumo responsável e poupança.

Desde então, tenho pensado um bocado no assunto.

Vivemos num mundo de capitalismo selvagem (termo antigo, mas sim, nasci na década de 70!), de estímulo exacerbado ao consumo desmedido, desenfreado e sem propósitos. Daí que a gente tenta educar o filho para não ser consumista, para valorizar a vida, as pessoas, as relações humanas, a natureza... Por outro lado, não dá para negar que é importante prepará-los para viver na selva do capital.

À minha mente, vem aquela pergunta: que mundo estamos deixando para nossos filhos? E que filhos estamos deixando para o mundo?

Não pretendo ensinar meu filho a ser mais um consumista para que faça parte do grupo, desse mundo que não acho que está dando muito certo. Pretendo passar valores nos quais acredito, e que sei que muito mais gente acredita, um grupo que muitos podem chamar de alternativo, que não acho um termo desapropriado, afinal, buscamos exatamente isso, uma melhor alternativa de mundo para nossos filhos e de filhos para nosso mundo. Uma sociedade melhor, que é construída por pessoas, logo, perpetuar o status quo não vai ajudar a melhorá-la, não é mesmo?

Será que uma criança aos seis anos precisa de mesada e aprender a poupar e ser responsável nos gastos? Ou bastaria o bom exemplo dos pais e evitar expô-lo ao consumismo? Se a criança não crescer preocupada em ter, não terá mais condições de dar o devido valor ao dinheiro, colocando-o em seu devido lugar e não o endeusando? Não será essa uma atitude mais saudável que ensiná-lo a ser um consumidor, ainda que um consumidor responsável?

Por outro lado, até que ponto é possível manter as crianças afastadas do desejo consumista? Se em casa manter um ambiente pouco exposto à propaganda e ao consumo já é difícil, no mundo exterior é praticamente impossível.

Arthur tem dois anos e o termo comprar já faz muito parte de seu vocabulário. Ele fala que precisa comprar arroz, feijão, brócolis, lentilha, escova de dentes, regador... Ele sabe que para ter as coisas em casa, é preciso ir ao mercado ou à loja comprar. Percebemos que ele vem usando demais o termo comprar, tanto que buscamos evitar a palavra, por sugestão do marido, trocamos por buscar, então, eu vou ao mercado buscar carne. Isto quando me lembro, porque o verbo "comprar" está enraizado em mim também. E mudar macaca velha é quase tão difícil quanto mudar o mundo...

Se nossa família conseguir o intento de não ser consumista, esperamos que tal valor esteja enraizado em nossos filhos. Esperamos que se nós, os pais, conseguirmos sermos bom exemplos, nossos filhos possam aprender. Sonhamos que vários pais busquem alternativas parecidas com as nossas, que tenhamos sucesso e, quem sabe, ajudemos a sociedade a encontrar outra forma de viver, que não baseada no consumismo e individualismo. Duro mesmo é competir com todo o resto do mundo...

2 comentários:

Marilyn disse...

Dani... sumida!
Mto bom seu post... é assunto q eu adoro! Kauê foi mto bem ensinado e hoje é um bom poupador! Desde mto pequeno acho q seus 3 anos ele tinha um porquinho e guardava as moedinhas, e no final do ano visitávamos o porquinho pra saber se dava pra comprar aquele "objeto" do seu desejo... Acho mto, mto importante ensinar desde já... pq embora tratemos o consumismo de forma diferente do mundo, ele está aí... e não fazemos em casa eles aprendem lá fora!!!! Acho mto legal o Arthur saber q precisa ir ao mercado comprar... quem sabe o termo, essa semana precisamos poupar, não podemos comprar????????????? Pra mim deu super certo!!!!!
bjão

Ártemis disse...

Falei disso uns dias atrás ;)

http://mamaecintia.blogspot.com/2010/04/bakugan-quem.html