quarta-feira, 11 de junho de 2008

Leitinho da mamãe


Amamentar era um grande desejo, um grande sonho. Aliás, nunca sonhei com o parto, mas antes e durante a gravidez tive vários sonhos em que amamentava.

Eu li um pouco sobre amamentação na gravidez, mas jamais achei que teria problemas para alimentar meu filho.

Arthur nasceu no dia 16, sexta-feira. Sua pega foi boa de imediato, porém, na segunda-feira, começou o problema da amamentação. Por sorte estava em consulta de pós parto com a Márcia, que também dá orientação em amamentação, quando o Arthur começou a chorar bastante. O leite não havia descido e a Márcia percebeu bem mais rápido que eu o motivo do choro e irritação com o peito: fome.

Ela deu-lhe uma seringa de água glicosada com sonda no dedo e eu só fazia chorar. O Arthur se acalmou na hora.

Comecei a tomar imediatamente remédio, homeopatia e chá aos montes, para estimular a descida do leite.

Continuei oferecendo o peito e à tarde a Ana Paula pediatra nos trouxe leitinho, acho que 80ml. Esse leite foi dado naquela tarde e depois à noite, através de sonda (translactação), assim ele também mamava me
u colostro e estimulava para a descida do leite.

À noite, compramos uma lata de Nan, pois não sabíamos se o leite que a Ana Paula deixou seria suficiente. E realmente precisamos oferecer uns 30ml de Nan.

Não estabelecemos horários. Oferecia meu peito em livre demanda e só entrava com o complemento quando percebia que meu bebê estava com fome, sempre com a sonda.

Na terça-feira a Ana Paula trouxe mais 140ml de leite e ainda precisamos complementar com Nan. Verificamos que a quantidade de colostro aumentara um pouco e parecia começar a mudar de cor.

O Arthur não me deixava dormir, ficava no peito o te
mpo todo, no colostro somente ou na translactação. Eu estava muito cansada. A Márcia sugeriu que meu marido ficasse com ele por algumas horas para eu dormir e oferecesse complemento no copinho ou colherinha.

Eu confesso que resisti à idéia, pois pelo menos o co
mplemento estava sendo dado nas mamadas. Estava muito triste, cansada, chorando bastante e sabia que isso não ajudava a descida do leite, mas não me conformava em não conseguir alimentar meu filho.

Na quarta-feira por volta das 6:00 da manhã, com o Arthur chorando de fome enquanto eu oferecia o peito, depois de mais uma noite toda praticamente sem dormir, me rendi. O papai foi cuidar dele e eu fiquei dormindo.

Meu marido ofereceu Nan de colherinha, mas conseguiu dar apenas uns 15ml, pois disse que ficou morrendo de dó de alimentá-lo daquele jeito. Quando voltou a querer mamar, me trouxe e mamou.

Ficou nesses 15ml de Nan e no meu peito até à tarde, quando a Ana Paula chegou dizendo que derrubou os potinhos com o leite que me traria. Mas então o colostro já estava mesmo era com cara de leite, sem pojadura, bem discreto, meu leite apareceu.

A partir de então não precisei dar mais complemento, porém o bebê é pesado regularmente para acompanhar se o ganho de peso está bom.

Arthur passou as primeiras semanas mamando muito, passava quase 24 horas com ele no peito, em livre demanda, mas surtiu efeito. Seu ganho de peso está adequado e com quase um mês, espassou um pouco o intervalo d
as mamadas.

A translactação é trabalhosa e cansativa, mas valeu a pena, mesmo precisando de complementação, Arthur era amamentado e jamais chegou perto de mamadeira.

Não é fácil ver seu filho chorando de fome, precisar complementar, mas com informação, boa orientação, apoio e persever
ança, consegui.

Ouvi de muita gente que isso é normal, que se não desse certo, eu devia dar mamadeira e pronto. E inúmeros exemplos de mulheres que não tiveram leite. Esses comentários me entristeciam, pois eu me sentia frágil e queria apoio, não palavras conformistas e desestimulantes, mas sentia mesmo muita pena de saber quantas mulheres e bebês sequer tive
ram a chance de tentar.

Por sorte tive o apoio das maternas e matrices, cujos exemplos eu me lembrava para me encorajar, conheci pessoas maravilhosas como a Ana Paula, que sempre agradecerei pela dedicação e doação para eu conseguir amamentar. E não posso deixar de agradecer a Márcia e a Priscila, sempre atenciosas e disponíveis, a minha mãe, que ficou ao meu lado e rezou muito por nós e principalmente ao Emiliano, que dividiu comigo cada mamada, cada choro, cada sorriso.

Ainda encontro dificuldades, tenho dúvidas, mas sei que sou capaz e não desistirei de dar o melhor alimento do mundo para meu bebê. Continuo contando com as orientações das matrices e perseverando na livre demanda e no carinho e amor por meu filho para seguir, dia após dia, enfrentando as dificuldades e colhendo as alegrias da amamentação.

5 comentários:

Ibel disse...

Dani,

Eu nunca consegui dar de mamar à minha filha.Ela não pegava na mama nem no biberão.Ela não parava de berrar. Pensei que endoidecia.Todos os dias tinha que ir ao pediatra para a pesar, mas ela perdia peso, dia após dia.Ao fim de um mês foi detetada uma otite que lhe apanhava já os dois ouvidos.Entrei em depressão profunda e só chorava.Valeram-me a minha mãe, o meu marido e uma grande amiga. Enquanto bébé, a Ana foi sempre muito frágil e tínhamos que anotar num papel a quantidade de leite que bebia.Era sempre muito pouco.E foi assim até à primária. Hoje ela adora comer.
Esses medos só quem passa por eles.Eu tinha pânico, tal era o meu amor pela minha filha.Esses medos vão-nos acompanhando sempre, porque quando se fica grávida fica-se mãe para a vida inteira.E é tão bom!

Kathy disse...

Oi querida,
que bom que vc está sendo tão forte consciente e correta nesse momento...
Pode ter toda certeza de que vai dar tudo certo, e qualquer dúvida, pode contar com a gente!
Um beijo

Beta disse...

Guria, sei bem o que tu passou...também precisei usar a sondinha (graças a deus que descobri a translactação). A diferença é que eu tinha um (ex)pediatra que fazia terrorismo com o ganho de peso da minha filha e falava que a minha produção de leite era insuficiente...Além dos palpiteiros de plantão, que só me deixavam mais insegura.
Mas a gente tira forças nem sei da onde nessas horas e segue em frente, né?
Insisti e sigo amamentando minha filha que está com 11 meses.
E os palpiteiros? Hoje ficam sem palavras quando olham ela grudada no meu peito, hehehe.
Bjão

Roseane Moura disse...

Olá, Dani

Tudo bem?
Sei o quanto você é apoiadora e acredita no aleitamento materno. ´
Veja o vídeo

http://catarse.me/pt/projects/429-ha-cura-em-suas-mamas


Será um momento especial em que teremos mais uma oportunidade de incentivar o aleitamento materno.

Este projeto é de TODOS nós que acreditamos nos benefícios do leite humano!

Se puder divulgar, ficaremos gratas.
Um beijo, da mãe do Nicolas

Rô! - @robertarez disse...

Lindo relato! Vou me lembrar dele sempre que encontrar pessoas com dificuldades de amamentação. Parabéns pela força.